Havia planejado desbravar sozinho a área de nosso futuro “Parna”, eis que nos últimos minutos do segundo tempo meu amigo Luiz resolveu me acompanhar nessa empreitada, e na manhã do dia 21 partimos para Baraúna.
Após alguns deslizes no caminho, muito aperto, políticos no carro, desembarcamos em Baraúna. Como não uso celular, confiamos que o de Luiz serviria para entrar em contato com minha amiga na cidade, não serviu! Rs Descemos no local certo, a delegacia, o único orelhão da cidade lá estava, depois de bancarmos os suspeitos frente ao delegado, não fomos detidos, consegui o contato e logo estávamos a caminho em duas motos para Vila Nova I (Área da Reserva Legal Maísa).
No caminho já se notava a diferença no ar, que era mais puro, monoculturas que se perdiam no horizonte (Principal causa do desmatamento), avistamos várias aves nesse trecho e três Caranguejeiras muito belas cruzando a estrada. Cerca de 12 Kms percorridos, chegamos no assentamento (Em média 100 famílias vivem nesse núcleo).
Um abraço bem apertado em Adriana, enfim alojados na casa do Seu Chico e Toinha. Conheci os dois irmãos de Dri, um deles mais tarde se mostrou um grande jogador de Sinuca. Mas o membro mais ilustre da casa é um urubu, chamado “Doido” logo viramos amigos.
Após uma noite estrelada, troca de informações, avistar constelações(como estava bela Escorpião). Finalmente cochilamos...
Logo cedo, ouvi a carroça de Zé Leite(nosso guia) estacionar, arrumamos o equipamento e partimos rumo a Furna. Fomos até onde a carroça poderia alcançar, e continuamos o restante do caminho a pé, por uma bela trilha em meio a Caatinga. Karst Jandaíra, finalmente chegamos, Logo avistamos a ressurgência da Furna Feia, mas resolvemos encarar as abelhas de sua entrada principal.
Silenciosamente passamos, lanternas ligadas, Zé Leite nos levou até onde seu bom senso permitiu (a primeira depressão), de lá seguimos somente eu e Luiz. Um morcego solitário e um belo amblipígio nos saudaram na entrada. Seguimos até um nível superior com várias fendas, sempre cautelosos por desconhecermos o ambiente. Uma bela dolina, paramos ali algum tempo para apreciá-la e comer algo, seguimos até chegarmos num precipício, o qual achamos prudente pegar um outro caminho, rastejando, dei de cara com uma caranguejeira(enorme) habitando as profundezas das cavernas, belo animal, seguimos por um caminho onde repousavam dezenas de morcegos, ali não demoramos tanto. Rs
Saímos num salão muito belo, com vários espeleotemas em plena formação devido a inúmeros gotejamentos, mais um registro de um belo amblipígio próximo a um conduto de água pluvial e seguimos. Nessa altura encontramos três pequenas piscinas, essa parte me impressionou muito pela beleza, com certeza nelas haviam seres troglóbios (mas não registramos). A essa altura já estávamos preocupados se encontraríamos a ressurgência (sim, aquela que avistamos ao pisarmos no Karst), ao cruzarmos um túnel interessante, saímos no maior salão da caverna e o mais ornamentado. Lá avistamos a luz e a escuridão. A escuridão era um abismo que arriscamos chegar perto, não se via um fim, provavelmente outro conduto de água. A luz era a provável saída, mas teríamos que escalar para alcançá-la, ouvimos vozes, mas não sabíamos de onde vinham, de repente vi um pedaço de uma pessoa, sim, aquela se tratava realmente da saída, poderíamos arriscar uma subida pelas paredes, a luz foi se aproximando, já víamos o verde novamente da Caatinga, missão cumprida, vencemos a caverna dessa vez.
Quando subimos pela ressurgência, nosso acampamento já estava montado (muito eficiente Adriana), conversamos mais um pouco com Zé Leite, e ele partiu prometendo que nos buscaria no dia seguinte. Pegamos água, em nosso buraco de água, e nos banhamos em nosso buraco de banho (aberturas na formação rochosa muito úteis), a noite caiu, ascendemos nossa fogueira para afugentar os insetos, Dri nos leu literatura de cordel (a natureza? rs), fervemos nossa água kárstica e fizemos um lammen para o jantar. Fomos surpreendidos por uma bela chuva e nossa noite de cordel e dominó ao luar teve seu fim precoce.
Ah, o crepúsculo de um novo dia, em meio a mata ainda preservada, os cantos dos pássaros ecoavam por toda parte, partimos para registrar o máximo possível, conseguimos belos registros como o Canário da Terra (Sicalis flaveola) e o gaviãozinho (Gampsonyx swainsonii).
Após nos despedirmos de tão belo lugar, rumamos ao assentamento, dessa vez na carroça do Seu Chico, Zé leite encontramos na metade do caminho, ele não foi tão ágil dessa vez.
Cansados (eu não adormecia fazia dois dias), fomos recebidos com um saboroso almoço da Dona Toinha, depois de um bom banho de “caneco” e um cochilo na rede começamos a nos arrumar para retornar a civilização (que lástima).
Até a próxima!
Agradecimentos: Adriana e família, obrigado por tudo!

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